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A nutricionista Gabriela Reis Diccini foi diagnosticada com diabetes tipo 1 aos 12 anos e, de lá para cá, fez da doença uma verdadeira bandeira. Seguiu o caminho contrário daqueles que se abatem com o problema, passou a atuar em favor da sua conscientização e hoje, aos 25 anos, já percorreu o mundo em defesa dessa causa.
O início, porém, não foi muito fácil. “A partir do diagnóstico, eu e toda a minha família tivemos que nos adaptar a um novo estilo de vida, com mudanças na alimentação e na rotina diária, incluindo a atividade física. O que facilitou é que sou filha única. Como estávamos também no começo do ano, minha mãe foi até a escola conversar com a enfermeira, coordenadores e professores para explicar o que estava acontecendo e como deveriam agir em casos de hipoglicemia. Meus amigos também receberam a noticia de seus pais e me ajudaram muito no começo”, conta Gabriela.
Antes de passar a conviver com o problema, tudo o que a nutricionista tinha em mente é que o diabetes “era uma doença de velho”. Com o apoio dos pais e a ajuda da Associação de Diabetes Juvenil (ADJ), Gabriela passou conhecer melhor a sua condição. “O diabetes não nos impõe limitações quando cuidamos dele adequadamente, fazendo os controles e tomando insulina nos horários certos, além de não deixar, também, de se alimentar. Dessa forma, consigo levar uma vida normal”, diz a nutricionista.
Gabriela, que por seu entusiasmo, capacidade de liderança e comprometimento com o diabetes, foi escolhida pela Federação Internacional de Diabetes (IDF) para ser uma das suas jovens embaixadoras, não esconde que, muitas vezes, precisa vencer as próprias batalhas.
“No diabetes não existe matemática, ou seja, posso fazer a mesma coisa todos os dias e, mesmo assim, em cada ocasião terei um resultado diferente. Assim, a doença deve ser controlada e o tratamento revisto sempre. Momentos mais críticos são aqueles em que tenho alterações emocionais por fatos que acontecem na vida e que sempre alteram a glicemia, como uma tristeza ou um estresse. O que me incentiva a passar por eles é continuar tendo qualidade de vida, e fazendo o que é normal no dia-a-dia”, relata a nutricionista.
Veja abaixo a entrevista com Gabriela Diccini sobre sua carreira na luta pelo diabetes.
O que te levou a se engajar em campanhas relacionadas ao diabetes?
Quando conhecemos a ADJ, entre 1995 e 1996, ela estava em um período muito complicado, quase fechando as portas e o presidente da época chamou os associados e familiares para começarem a arrecadar fundos. Foi então que eu e meus pais começamos a freqüentar mais a entidade, até participamos de campanhas de vendas de flores em shoppings de São Paulo, caminhadas em parques e campanhas de detecção, entre outros. Dessa forma, conseguimos arrecadar fundos e levar mais associados para a ADJ.
Como é sua relação com a ADJ hoje?
Trabalhei lá logo após o termino da faculdade, fui convidada a assumir o projeto ADJ Móvel (Unidade Móvel) e, depois, passei à Gerência de Captação de Recursos, contatando os laboratórios e solicitando patrocínio para os projetos. Atualmente, atuo como voluntária em alguns projetos, e estou sempre ligada à ADJ por ser Jovem Embaixadora no Brasil da IDF, pela Resolução da Organização das Nações Unidas (ONU).
Como você chegou à IDF?
Em janeiro de 2006, a fundação mandou para as entidades filiadas uma carta solicitando candidatos para o cargo de Jovens Embaixadores. Para concorrer a esse cargo, esses jovens deveriam atender a algumas exigências como: ter entre 18 e 25 anos, falar inglês fluentemente e estar participando ativamente da entidade. A ADJ indicou algumas pessoas e mandou seu histórico, como solicitado. Depois de um mês, tivemos o retorno, e eu havia sido a escolhida. A partir de então, comecei a divulgar a importância do apoio à Resolução do Diabetes para o Mundo e, no nosso caso, para o Brasil, pedindo apoio na votação que ocorreria na Assembléia Geral alguns meses depois.
Como é ser representante global da IDF?
É uma responsabilidade muito grande saber que, do mundo todo, só foram escolhidos 25 jovens e você é um deles. E que deve lutar pela conscientização do diabetes em um país tão grande como o Brasil. Continuo atuando na IDF, inclusive irei participar das comemorações do dia 14 de Novembro em Nova York, em frente à Sede da ONU com os demais 24 Jovens Embaixadores. Esse cargo tem duração de 3 anos.
Fale um pouco da Resolução. O que mudou a partir dela? Qual a importância do dia 14 de novembro (definido como o Dia Mundial do Diabetes)? No Congresso Mundial de Diabetes da IDF, ocorrido em Paris, há quatro anos, a jovem Clare Rosenfeld questionou o Sr. Martin Silink, presidente eleito da IDF, sobre a possibilidade de escreverem uma resolução sobre o diabetes para ser votada na Assembléia Geral da ONU. Em 20 de dezembro de 2006 a Resolução foi aprovada com a maioria dos votos e o apoio de praticamente todos os países. A partir da aprovação, os países membros da ONU deverão se movimentar em prol do diabetes, aumentando o conhecimento e a preocupação quanto à doença, estimulando ações de prevenção do problema e suas complicações. Todos os anos, o dia 14 de novembro vinha sendo comemorado mundialmente, porém, com a Resolução aprovada, haverá mais comemorações, inclusive nesse próprio dia, em frente à sede da ONU em Nova Iorque. Todos nós, Jovens Embaixadores, estaremos lá com a população americana e quem mais quiser participar.
Como é sua atuação como advogada oficial para a Resolução? Quais os maiores desafios? Meu maior desafio como Jovem Embaixadora é conseguir espaço na mídia para divulgação desse trabalho. E essa é parte importante do processo, tanto divulgação eletrônica, como impressa, no radio e na TV. Hoje, os meios de comunicação abrem as portas para muitas coisas sem importância e, para assuntos como esse, não há espaço.
Com a aprovação da Resolução o trabalho “Unidos pelo diabetes” acabou?
Não, muito pelo contrário. A campanha “Unidos pelo diabetes” continua e com mais dedicação do que antes, pois, agora, temos que verificar se o que foi prometido pelas autoridades com a aprovação está sendo cumprido. Para ter mais informações sobre a campanha e como participar, temos alguns sites em português e inglês como o da Sociedade Brasileira de Diabetes - SBD (www.diabetes.org.br), a página da IDF (www.idf.org), ou a da própria campanha (www.unitefordiabetes.org).
Como você vê a questão da prevenção e conscientização do diabetes no Brasil? O país apresenta atrasos também nessa questão?
Sim. Na maioria das vezes, os habitantes dos grandes centros estão informados sobre os seus direitos, porém, quem é da periferia não tem acesso a esse tipo de orientação, e fica sem tratamento correto para a doença. Por isso a importância dos meios de comunicação, juntamente com a divulgação das formas de prevenção do diabetes, que existem e podem ser aplicadas, o que diminuirá o número de pessoas com a doença no nosso país.
O que você pretende alcançar no que diz respeito à conscientização sobre o diabetes?
Pretendo tornar o diabetes cada vez mais conhecido por todas as pessoas e fazer com que elas interajam para a troca de informações. |